MalditoS no Orkut.

Em breve..

Não é a primeira vez que posto isso, mas dessa vez é verdade. Em breve voltarei a digitar a historia e posta-la, não com a frequência de antes, mas de maneira continua, sem interrupções.

Aguardem, se ainda estiverem esperando.

Felipe

Explicação

Bom, eu simplesmente parei de postar pois estou sem tempo e com algumas duvidas em relação ao rumo que a historia tomara daqui pra frente. Entretanto em breve estarei postando novamente todas as semanas, aguardem, muita coisa boa está prestes a acontecer.



Felipe

Capítulo X - Susto

Dia 27 de Janeiro de 2009, 11h48m - Loja de Artigos Esportivos


O barulho baixo da caneta que Felipe girava caindo no chão chama atenção de Joe que rapidamente volta a limpar sua arma. Felipe pega a caneta novamente e recomeça a girá-la, com os olhos vidrados no que faz se assusta ao ouvir o grito de Fernanda que dormia.

-O que aconteceu? – pergunta Felipe com os olhos arregalados.

Fernanda ofegante e tão assustada quanto os outros leva a mão a boca. Ainda tenta entender o que acontecera.

-Pesadelo? – pergunta Joe.

Fernanda se levanta, perde o equilíbrio e se senta novamente.

O grito de um zumbi é ouvido, Joe começar a montar sua arma rapidamente. Felipe deixa a caneta de lado e busca a sua no chão. Fernanda entra em desespero e o medo só aumenta após o zumbi bater contra a porta.

-Droga, e agora? - pergunta Felipe.

-Fiquem calmos, talvez ele vá embora – responde Joe terminando de montar sua arma.

O zumbi grita ferozmente enquanto bate contra a porta com uma força surpreendente, o barulho é quase ensurdecedor.

-Acho que não, se continuar assim só irá atrair mais deles - acrescenta Felipe.

-E fazemos o que? – pergunta Fernanda aos prantos.

-Abrimos a porta e matamos ele – responde Felipe destravando a arma.

-Não, não – diz Joe – é muito arriscado.

-Ele vai abrir a porta – grita Fernanda se afastando.

Joe aponta a arma para a porta, Felipe o observa imóvel, o zumbi conseguira amassar a porta e parece mais determinado a cada segundo.

Joe fecha um olho, mira a porta tentando adivinhar onde se encontra o zumbi e dispara.

O barulho do tiro é seguido de segundos de silêncio que se passam lentamente até que e o som do corpo caindo ao chão é ouvido, Felipe sorri enquanto Joe permanece imóvel e Fernanda tenta se acalmar.

-Você conseguiu cara – diz Felipe esboçando felicidade.

Joe faz um sinal com o dedo para que não falem nada, se aproxima da porta lentamente e observa pelo buraco feito pela bala.

Fernanda se aproxima e se senta, observa Joe com os olhos arregalados.

-Ta vendo algum deles? – pergunta ela sussurrando.

Joe faz novamente um sinal com o dedo respondendo que não. Felipe continua a sorrir enquanto trava sua arma e procura sua caneta. Fernanda esfrega as mãos no rosto e em seguida arruma o cabelo todo bagunçado.

Joe se vira pedindo silencio novamente e se senta, Fernanda se retira e o silencia reina.

Após alguns minutos Fernanda retorna em silencio, parece ter medo, caminha lentamente até o banco em que estava antes e se senta. Olha para Felipe que ainda gira sua caneta nos dedos. Em seguida para Joe que também a olha, percebendo que é observada rapidamente desvia o olhar.

Observa o chão enquanto pensa no que fizera, age como se estivesse em transe.

-Fernanda – sussurra Joe a chamando.

Ela se assusta.

-O..., oi – responde ela.

-O aconteceu? – pergunta Joe novamente enquanto Felipe somente observa.

Ela hesita ao responder, retira o cabelo do rosto e enfim o faz.

-Eu tive um pesadelo – responde ela ainda olhando para o chão.

Felipe tenta dizer algo, mas é interrompido por ela.

-Eu tava em um lugar todo branco, me sentia feliz e de repente alguém saiu do nada e começou a vir em minha direção – diz ela sussurrando – quanto mais perto ela chegava de mim mais eu ficava triste, era um sentimento horrível. E quando chegou bem perto de mim eu vi que essa pessoa era eu mesma. Estava toda machucada, mas sorria, eu entrei em pânico e tentei falar algo, mas não consegui. As palavras não saiam, tentei gritar e também não consegui. Eu fiquei assustada, vendo eu ali parada na minha frente. Ela continuava sorrindo para mim e começou a vomitar sangue, gritava e seus olhos ficaram como os deles, ainda vindo na minha direção eu tentei correr e também não consegui, não conseguia fazer nada só sentia medo e via eu mesma me tornando um zumbi e quando ela estava bem perto de mim eu acordei.

Todos ficam em silêncio.

-Olha eu sei que foi minha culpa, mas eu não pude fazer nada – diz ela ainda com a cabeça baixa.

-Não fala isso Fernanda – diz Joe – não seria justo de nossa parte te culpar, afinal, ninguém tem controle sobre seus sonhos e tudo isso não faz bem a ninguém.

-Ele ta certo Fernanda – diz Felipe – e agora já passou, estamos seguros.

Ela levanta a cabeça e sorri Joe e Felipe também o fazem, em seguida voltam a fazer o que faziam antes.

Olhares perdidos no tempo, a chama da esperança que arde em seus corações talvez não seja grande, mas é o suficiente para que continuem a viver, para que não desistam, para que sejam felizes, para dar ao homem uma ultima chance.

Deitado em um sofá não muito confortável aqui estou, com os olhos vidrados na parede somente ouvia o que Joe e Fernanda conversavam, o que já não fazem há algum tempo.

Devo ter acordado há meia hora, nem sequer me movi.

Um momento tão calmo e confortável como esse é muito valioso, fecho os olhos por alguns instantes e uma sensação boa me ocorre, talvez um sinal, quem sabe?

-Felipe – me chama Joe.

Viro-me atendendo ao seu chamado.

-Ótimo você já acordou.

Com um sinal de mão confirmo.

-A água já acabou – fala ele mostrando uma garrafa vazia.

-To sabendo – respondo um pouco rouco.

Joe esfrega o rosto com as mãos e as repousa na nuca.

-Não da mais pra ficar aqui, ainda mais depois de ontem, sem falar que a comida também acabou.

Sento-me no pequeno sofá que estava deitado, tão pequeno que mantinha as pernas encolhidas. Olho em volta e não vejo a Fernanda.

-Sabe que a Fernanda não vai concordar com isso cara – digo.

-Sei, mas temos que convencê-la.

-É, mas onde ela ta? – acho que devo ter cochilado por alguns instantes enquanto estava deitado.

Joe aponta para o corredor ao fundo, permaneço imóvel por alguns segundos. Olho para o chão e avisto minha arma junto de minha caneta, passo as mãos pelo cabelo e me levanto.

Vagarosamente sigo até o banheiro, meus pés estão um pouco doloridos, e meu ombro também.

Voltando do banheiro encontro Fernanda remexendo em algumas prateleiras e Joe ainda permanece no mesmo lugar de antes. Sento-me e Fernanda percebe minha presença.

-Bom dia – diz ela se virando e me olhando nos olhos.

-Bom dia.

Ela sorri e se vira voltando a revirar em uma prateleira, até parece procurar algo.

Joe apoiando o queixo com a mão me olha seriamente, olha para Fernanda e a chama.

Ela se vira rapidamente. E antes que possa responder ao chamado.

-Não da mais pra ficarmos aqui – diz Joe.

-Como assim? – indaga a garota.

-Bom, já faz dois dias que estamos aqui, a água e a comida acabaram, já esta na hora de nós irmos.

-Mas e o Eduardo? – pergunta Fernanda se sentando no chão.

Joe balança a cabeça negativamente enquanto somente observo.

-Nós não podemos mais esperar por ele, já faz dois dias e ele ainda não voltou, se esperarmos mais só vamos ficar mais fracos e será mais difícil fugir.

Fernanda me olha como se me implorasse para que discordasse de Joe, depois desse olhar assumo que tive vontade, mas...

-Ele ta certo.

-Vocês querem ir quando?

-O mais rápido possível – responde Joe.

-É – confirmo.

Fernanda se levanta e senta ao meu lado.

-Olha, eu pensei nisso e se ele estiver escondido em algum lugar onde não da pra sair, a gente não pode abandonar ele.

-É arriscado Fernanda, se não partimos o quanto antes só ficara pior – diz Joe – também não me sinto bem em fazer isso, mas se não fizermos nós vamos morrer.

Fernanda parece ter se incomodado com a forma que Joe tentou convencê-la. Ela esfrega as mãos nas pernas como se as enxugasse, morde o lábio inferior e por fim ajeita o cabelo atrás da orelha.

-E pra onde a gente vai?

-Pra Uberlândia – respondo.

O silencio entra na atmosfera do lugar novamente enquanto Fernanda olha pelas prateleiras e enfim para o chão.

-Então é melhor a gente ir logo.

-Com certeza, mas antes precisamos de um plano – diz Joe pegando sua arma –, e mais armas.

O silencio ganha uma nova chance diante de nossas faces.

-Uma loja de armas, tem uma aqui não tem? – pergunta Fernanda olhando para mim, mas a verdade é que eu realmente entendo bastante de armas. Conheço varias, até como usá-las, mas nunca tive necessidade de ter uma.

-Não faço a mínima idéia – respondo.

-Tem sim.

O olhar de Fernanda se volta para Joe.

-Se não estiver enganado deve ficar a uns 10 km daqui, mas com certeza já foi saqueada – termina Joe.

-Mas você mesmo disse que precisamos de mais armas – diz Fernanda.

Joe coça a cabeça e murmura algo incompreensível.

-Acho que a gente tem que arriscar – digo – sem armas não vai da pra chegar em Uberlândia.

-Certo se você concordar também Fernanda é o que faremos.

Ela balança a cabeça positivamente.

-Bom eu tenho um plano – continua Joe – primeiro saímos daqui sem atrair nenhum deles em seguida conseguimos um carro e vamos até a loja de armas. Pegamos o que encontrar e aproveitamos para pegar alguns suprimentos em algum mercado. Se tudo ocorrer bem é só seguirmos para Uberlândia concordam?

-Com certeza – respondo.

-Certo, mas não será nada simples, quero que prestem atenção, esperamos a melhor hora para sairmos. E quando sairmos devemos ficar cada um em sua posição, eu vou à frente, Fernanda já que você não tem arma fica no meio e você Felipe vai atrás, de acordo?

Depois de concordamos Joe continua.

-Não deu tempo de nos organizarmos melhor da ultima vez. Então desta vez vamos pensar em tudo, lá fora vocês sabem que nós somos minoria, que não haverá piedade e que somos o lado mais fraco. Temos que ser altamente precisos, rápidos e cuidadosos, tudo ao mesmo tempo.

Joe fala com muita segurança, até parece ser fácil e não sei quem o nomeou líder, mas acredito que seja a melhor opção.

-Visando nosso principal objetivo, logo necessitamos de um carro em bom estado, eu vou à frente então fico encarregado de nos defender de qualquer ameaça que venha da frente. Fernanda, eu quero que você fique atenta aos lados tudo bem?

-Acho que consigo – responde ela.

-Felipe, você cuida das costas.

Respondo acenando positivamente.

-Fazendo o possível para que não nos vejam e se nos virem teremos que decidir se seremos capazes de derrubar todos principalmente com a questão das balas ou se teremos que correr. E fiquem atentos a qualquer veiculo que nos sirva.

-Alguma pergunta?

Fernanda e eu não nos manifestamos.

-Certo, então acho melhor arrumarmos as coisas e dar o fora daqui o quanto antes possível.

-Concordo – digo.

Pego meus tênis e os calço, sinto um gosto horrível na boca

, não sei quanto tempo faz que não escovo os dentes, não achei a escova de dentes útil na hora em que fugia. Pego minha mochila e coloco as garrafas vazias e minha caneta dentro, creio que a sensação térmica esteja em torno dos 40 graus e ontem a noite fazia frio. Enquanto isso Joe observa pelo buraco de bala feito por ele ontem, não sei se aquilo foi somente uma jogada de sorte, mas nos salvou.

Joe se afasta da porta.

-Não vejo nenhum deles – conclui ele se sentando e vasculhando dentro de sua mochila.

Fernanda se encontra sentada perto de Joe somente nos observando.

Tiro minhas camisas já imundas, cheias de sangue de dentro da mochila, nem sei por que as guardei. Levanto-me e pego algumas novas, também pego um boné para esconder o cabelo que me incomoda.

-Felipe quantas balas você tem? – me pergunta Joe.

Já havia contado antes.

-Quatorze – respondo.

-Nada bom, só tenho vinte e uma e não vou encontrar mais destas.

Por fim fecho minha mochila e destravo a arma.

-Cês tão prontos? – pergunta Fernanda.

Aceno positivamente.

-Eu também – diz Joe – é melhor irmos logo.

-Certo.

-Mas antes preciso saber se está tudo bem com vocês – diz Joe.

-Eu to bem, só meu ombro que incomoda, mas nada insuportável.

-E você Fernanda?

-To sim, talvez só um pouco cansada.

-OK

Joe se levanta e se aproxima da porta, olha pelo buraco e começa a retirar nossa “barricada”, Fernanda o ajuda. Agora a tensão aumenta, o coração acelera e tudo fica pior.

Fernanda começa a erguer a porta brandamente, sinto o pavor de encontrar novamente com um dos malditos, uma pressão e a sensação de solidão que assola a todos nós.

O sol começa a entrar lentamente e um barulho é ouvido no mesmo instante. Joe faz um sinal para que Fernanda pare. E assim ela o faz.

Joe abaixa a cabeça e a coloca para o lado de fora. Sinto o fedor entrar pela porta fazendo com que eu tape o nariz com mão. Já havia me desacostumado com isso.

Joe estende parte de seu corpo para fora e olha para os lados apontando sua Desert Eagle, tem que ter força no braço para aguentar o tranco dessa arma. Sem falar o barulho estrondoso que causa ao ser disparada, em situações como esta a única vantagem é sua potência.

-Ta limpo – diz ele, suas palavras soam como um alivio que traz uma péssima noticia, é hora de agir.

Fernanda ergue a porta mais um pouco, Joe sai, Fernanda faz o mesmo e depois vou eu. A rua esta completamente deserta, bem a nossa frente dois corpos estirados e muito sangue começam o rastro de morte que se estende por toda a rua, corpos mutilados a cada metro, há centenas deles, uma cena forte, mas nada de novo para nós. Nenhum carro por perto.

Joe mira sua arma enquanto parece procurar algo distante, nem parece se preocupar com o fedo.

-Lembrem-se – fala Joe – temos que ser rápidos, precisos e não hesitem – termina ele sussurrando.

-Por onde nós vamos? – pergunta Fernanda.

Sem falar nada Joe aponta para a direita e devagar começamos a andar, Joe na frente seguido por mim e Fernanda. Passos largos tentam se auxiliar com cautela e agilidade.

Seguimos andando pela calçada, cobrindo a retaguarda tenho que olhar para trás a cada segundo, vamos nos esgueirando sorrateiramente. O sol escaldante frita os corpos a muito tempo sem vida espalhados pelo chão, ajeito o boné para tapar o sol de meus olhos.

O natal interminável que enfeita tudo e aquela sensação estranha de que falta algo. Aquela coisa toda de toda a família se reunir, trocar presentes e comemorar juntos. Aquilo faz falta e só percebemos o quão é importante quando já não se pode ter mais.

Ouvindo os pássaros cantando parece tudo bem, depois de andarmos alguns metros chegamos perto de um carro estacionado em cima da calçada, em frente a uma padaria. Um Astra com algumas batidas e as portas abertas. Joe faz um sinal para que paremos e se aproxima vagarosamente do veiculo, vira-se bruscamente apontando a arma para dentro do veiculo como se abordasse alguém.

Ele abaixa a arma e arranca um corpo de dentro. Olho para os lados apontando a arma, eu observo o ar estagnado, nenhum deles por perto. As folhas das arvores nem se mexem, sem vento nenhum o calor incomoda muito e o coração ainda bate rapidamente.

Joe faz um sinal negativo saindo do carro e se aproxima de nós.

-Não tem gasolina – diz ele olhando para trás.

-Têm mais alguns ali na frente – digo.

Rapidamente voltamos a andar, atravessamos a rua passando por lixo e corpos espalhados. Passamos ao lado de algumas malas manchadas de sangue e corpos amontoados em cima, provavelmente seus antigos donos. A sombra do prédio ao lado nos polpa um pouco do calor do sol. A cada passo o medo aumenta, até que enfim chegamos perto de alguns carros que se encontram próximos uns dos outros.

Parece que os malditos gostam de nos surpreender, dou uma breve olhada para trás, Joe faz um sinal para irmos pela direita dos carros enquanto ele vai pela esquerda, Fernanda vem pra trás de mim, sigo olhando em volta dos carros.

-Abaixa, abaixa – diz Joe bem atrás de nós.

Tomo um belo susto, mas faço o que ele pede.

-O que que foi? – pergunta Fernanda sussurrando.

-Tem um deles por lá – responde Joe.

-Ele te viu? – pergunto.

-Não ela estava de costas.

-E agora? – indaga Fernanda.

Joe se levanta um pouco – Eu tenho uma idéia – diz ele passando a nossa frente, troca a arma da mão esquerda para a direita e pega uma faca que mantinha na cintura.

-O que você vai fazer? – pergunta Fernanda.

Joe nem sequer responde, olha para os lados, colocar a arma no coldre e começa a andar. Levanto um pouco a cabeça e olho por entre os vidros do carro, Joe anda olhando fixamente para algo que uma van mais a frente impede que eu veja. No mesmo instante o maldito se revela, parece estar caindo. Joe se esconde atrás de um carro. O zumbi se firma e vira para o outro lado, uma mulher com cabelos castanhos longos, mordidas por toda parte, magra, vestindo um uniforme de alguma loja. Joe aproveita e voltar a ir atrás dela.

-O que ele vai fazer? – pergunta Fernanda – ele é louco – diz ela em seguida.

Lembro-me de olhar para trás e o faço rapidamente, nada. Volto a olhar para Joe que se aproxima a passos de tartaruga da mulher morta. Joe em um movimento repentino pula na direção da mulher e enfia a faca no topo da cabeça da maldita, sangue jorra como água. Joe retira a faca e se afasta observando a mulher caindo e manchando tudo de sangue podre.

-Ele conseguiu – vibra Fernanda.

Joe limpa a mão na camisa e olha para o lado, parece levar um susto. Puxa a arma deixando a faca cair, mira e atira. O barulho estrondoso ecoa, Joe olha em nossa direção e começa a correr, ele chega perto do carro que estamos escondidos e olha pela janela.

-Esse não, vamos ver aquele – diz ele apontando o dedo, Fernanda e eu começamos a correr em direção ao carro que está a alguns metros. Olho para trás e avisto alguns deles correndo em nossa direção, parece Déjà vu, tudo igual, desde a primeira vez em que aconteceu.

Sinto algo que jamais vou me acostumar àquela sensação de que tudo se afasta a mesma sensação bombardeada por outras piores, parece que isso jamais terá fim.

-SUICÍDIO! – grita algo dentro de mim com toda a força.

Suicídio, palavra maldita que não para poluir minha mente um dia sequer, mas e se eu morrer agora? E se eu morrer daqui a algumas horas? Tudo que fiz terá sido em vão? Ou melhor, e se eu apontar a arma para minha cabeça e apertar o gatilho?

Poderei me poupar de mais sofrimento, poderei descansar, mas não.

Me nego a fazê-lo, não sou assim, ceder à tentação de seguir o caminha mais fácil, quem nem sempre é a melhor opção realmente é difícil.

-NÃO!

Não quero fazer isso, quero lutar até o fim, nem que para isso tenha que sofrer mais, nem que para isso eu tenha que presenciar cenas que não deveriam ser vistas por nenhum ser vivo, nem pelo piores dos seres humanos.

Quero ser livre novamente, quero ter uma família, ter uma vida como todo ser humano merece ter e ser feliz. Desejo isso a todos e simplesmente quero que tudo isso acabe.

Ouço seus gritos ferozes e a cada passo tenho vontade de correr mais do que posso, ainda em pânico chego primeiro ao carro.

-Porra tem alarme – grito enquanto Joe dispara sua arma algumas vezes.

-E daí que tem alarme Felipe – grita Fernanda chegando perto de mim – eles já viram a gente - termina de falar segurando o meu braço e apontando para a direção dos zumbis.

-Droga é mesmo – digo tentando me acalmar.

A idéia é repentina, dou três passos para trás, aponto a arma e fecho os olhos ao disparar.

O som ensurdecedor do alarme soa, centenas de cacos de vidro voam pelo ar, sem hesitar uso a arma para quebrar o resto do vidro, enfio o braço pela janela e destravo a porta.

Abro a porta e entro no carro, passo para o banco do motorista enquanto Fernanda já adentra no carro. Joe se aproxima enquanto tento fazer uma ligação direta. Os malditos já estão se aproximando. Joe enfim chega.

-Rápido grita Fernanda, passando para o banco de trás.

Ao invés de entrar Joe se enfia debaixo do carro, alguns segundos se passam e o alarme se cessa. Ouço o ronco do motor junto aos gritos dos malditos, deu tudo certo.

Joe entra no carro e fecha a porta, dou ré para ajeitar o carro na rua, a alguns metros de nós estão eles, sedentos por sangue, podres, os inimigos mais cruéis que o ser humano já encontrou.

-VAI! – grita Joe.

Viro o volante para direita e piso no acelerador, ouço os pneus derrapando no asfalto e o carro arranca. Como um vulto vindo de um lugar desconhecido um deles entra na frente do carro, nem tento desviar e acerto o maldito em cheio passando por cima em seguida.

-Conseguimos – diz Fernanda olhando pelo vidro traseiro.

-É só que dessa vez temos que ter mais atenção – afirma Joe.

-Com certeza – concordo.

Acelero um pouco e não se vêem muitos nas ruas, tentam nos seguir, mas logo desistem. Sinto um calafrio quando uma gota de suor escorrega pelo meu rosto enquanto dirijo observando a paisagem caótica misturada aos enfeites de natal, isso já começa a me incomodar. Parece piorar a situação.

Sangue derramado, fedor constante e corpos no asfalto apodrecendo ao sol de 40 graus, esse é o nosso paraíso apocalíptico.

Enquanto continuo dirigindo retiro minha mochila das costas e a coloco no banco de trás, ao lado de Fernanda que encosta sobre o banco. Joe sentado ao meu lado abre o porta luvas e começa a remexer dentro dele. Ficamos em silêncio e tudo que se ouve são o barulho do carro e alguns pássaros cantando, silêncio quase absoluto que é quebrado por Fernanda.

-E agora? – pergunta ela.

Antes mesmo que eu pensasse em responder Joe o faz.

-Agora nós seguimos com o plano – diz ele enquanto ainda remexe em alguns papeis dentro do porta luvas – enchemos o tanque de gasolina, pegamos comida e vamos até a loja de armas.

Presto atenção no caminho que sigo, desvio de alguns carros e três deles que andam mais a frente nos avistam, não dão à mínima se conseguiram ou não nos pegar. Só pensam, se pensarem em correr em nossa direção.

-Isso não é bom! – afirma Joe.

Realmente estão decididos, um deles um senhor de cabelos grisalhos com a roupa inteira manchada de sangue nem consegue correr, os outros dois, uma mulher alta, descabelada e usando um vestido roxo e um garoto, talvez tivesse quatorze anos, com a face totalmente deformada por mordidas e com gesso no braço esquerdo. Consigo sentir o medo que seus olhos transmitem olhos fundos, sem fulge, chegam a gelar a alma.

São eles, os dois que conseguem correr, assim o fazem em nossa direção. Eles entram na frente do carro. Novamente o coração dispara, não posso desviar, dois carros a direita impedem que eu o faça. Penso em frear, mas seria burrice, aperto as mãos ao volante

-Passa por cima – diz Joe.

E tenho outra opção? O garoto pula sobre o capô do carro e ao bater é arremessado para o lado direito do vidro o trincando e passando por cima do carro. Maldição! Quase perco o controle do carro e sinto o tranco da batida na mulher, ela é arremessada a frente do carro e a atropelo. Quase bato com a cabeça no teto e freio o carro. Sinto-me sendo lançado para frente e por pouco não bato a cara no volante. O carro para alguns metros à frente.

-Vocês estão bem? – pergunto com a respiração ofegante.

-Acho que sim – responde Fernanda com a cabeça baixa.

-Sem problemas – fala Joe.

Passo as mãos sobre o rosto tentando me acalmar, sinto meu coração se debatendo dentro de meu peito e respiro fundo.

-Foi por pouco – diz Fernanda – achei que a gente já era.

Joe permanece calmo, usava sinto de segurança e eu nem me lembrara dessa vez.

-Melhor nós irmos – diz Joe – olha – completa ele apontando com o rosto para o retrovisor.

-O que? - pergunta Fernanda olhando para trás.

Se não estivesse vendo com meus próprios olhos diria que é mentira. Lá está ela, a mulher cujo eu acabara de atropelar capengando em nossa direção. Dou uma risada.

-Força de vontade admirável – digo.

Esta ai uma qualidade que os malditos tem, andam tropeçando em si mesmos, com uma fratura exposta, mas não desistem, pena que nem sequer sabem disso.

-Vai, vai – diz Fernanda batendo contra o assento em que estou.

Começo a dirigir novamente, aquela sensação não me desacompanha, sinto um aperto no peito junto de uma sensação inexplicável, mórbida e meu ombro recomeça a doer.

Passo ao lado do senhor que nem tenta no alcançar, sigo tranquilamente por alguns minutos. Ruas desertas literalmente, melhor assim.

-Opa – digo ao avistar um posto de gasolina.

Esta na próxima quadra. Nenhum deles por perto será a sorte nos prestigiando?

-Vai mais devagar, por favor – diz Joe.

Desacelero um pouco, sigo observando em volta e parece que realmente não há nenhum deles.

-Eu vou – diz Joe retirando o cinto de segurança.

O posto fica bem no meio do quarteirão e no fundo há um estacionamento, sangue por toda parte como sempre. Não acho q a maioria virou zumbi, creio que de toda a população somente uns 30% tenham se tornado.

Há corpos espalhados pelas ruas, eles são a maioria, mas já percebi que por aqui não há muitos, mas na verdade muitos não se tornaram zumbis por competência deles mesmos. Já vi devorarem até os ossos como a maioria jogava por ai, mas também já vi darem algumas mordidas e desistirem não sei por que. Esses seres sem definições são malditos coitados que foram resultado de algo muito errado, pra mim o maior erro cometido pelo homem.

Desacelero mais o carro enquanto me aproximo da bomba de gasolina. Passo por cima de um corpo que exala um fedor pior do que o de costume. Joe mantém a porta entreaberta enquanto estaciono ao lado da bomba.

-Vai rápido cara

-Fica pronto pra nos cairmos fora se algo der errado – diz ele.

Aceno positivamente com a cabeça, Joe larga sua mochila e sai rapidamente na ponta dos pés. Vigio em volta por segurança.

-Felipe – me chama Fernanda – Você acha uma boa idéia ir pra Uberlândia?

Dou uma ultima olhada em volta antes de responder.

-Eu discuti sobre isso com o Joe quando eu conheci ele e acho sim uma boa idéia, você não?

-Não, não é isso. É que eu não conheço nada por lá e não vai ser fácil.

-Hoje em dia nada é – respondo sorrindo.

-Você ta certo – diz ela passando as mãos pelos cabelos e também sorrindo.

Permanecemos calados por alguns minutos.

–Acho o Joe muito frio, sei lá ele parece nem se assustar com essas coisas – continua ela em um tom de voz mais baixo.

-Também acho, deve ser que com aquilo tudo que ele contou pra gente ele já se acostumou – respondo.

-É, deve ser – diz ela cruzando os braços no mesmo instante em que Joe volta ao carro.

-Pronto – diz ele fechando a porta vagarosamente.

-Beleza – ligo o carro – agora pegamos comida e vamos até a loja de armas.

-Acho que vi um supermercado um pouco mais atrás – diz Fernanda.

-Muito longe? – pergunto.

-Uns três quarteirões.

-Bom, por mim vale a pena olhar.

-Perfeito – diz Joe – vamos rápido, talvez consigamos comer algo antes de partirmos para Uberlândia.

Dou ré e volto à rua vagarosamente.

-Pra onde?

Fernanda fala onde e acelero, na verdade eram cinco quadras. Um supermercado um pouco grande, fica em uma rua que cruza a que passamos.

Lá dentro a escuridão é completa, depois da entrada só se enxerga por alguns metros. Pergunto-me se há algum lá dentro, mas acredito que não, já descobri que no escuro são atraídos pela luz e da pior forma possível ainda mais se a luz se mover. Realmente foi sorte, na verdade ter chegado até aqui vivo é muita sorte e agradeço muito por isso.

Paro o carro em frente ao supermercado, tudo que se houve são os pássaros que continuam suas vidas normalmente. Tudo que eu mais desejo.

Observo a entrada do supermercado, há carrinho de compras espalhados por perto, sangue escorrido de dentro do supermercado há muito tempo mancha o passeio e segue pelo meio fio. Nos primeiros dias quando chovia era assim, sangue escorria pela enxurrada. Depois de cinco dias o fantasma da solidão começara a assombrar minha vida, realmente fingirmos viver, enquanto isso meu rosto começa a arder com o sol, meu ombro dolorido, as pernas cansadas, feridas na alma, estas sim doem de verdade. Se um dia vão cicatrizar só o tempo que tento alcançar ira me dizer.

Lagrimas me vêem aos olhos quando me lembro de coisas que passam pela minha mente todos os dias.

Enxugo os olhos com minhas mãos, não quero ser pego chorando. Quero poder tirar a mascara, tento sorrir todos os dias, mas há dias em que os sorrisos não passam de traços tortos de uma vida inalcançável.

-E então, o que acham? – pergunta Joe.

-Eu acho uma boa idéia, mas eu não tenho certeza – digo – a gente também pode encontrar um lugar menor onde vai ser mais fácil de pegar comida.

-Concordo, mas aqui não há nenhum deles – responde Joe.

Não havia pensado assim, realmente pode ser melhor fazer isso de uma vez e seguirmos em frente. Ainda tenho forças para lutar nesta batalha, nunca vou me dar por vencido.

-Quem vai? – pergunta Fernanda.

Olho para ela que no mesmo instante retribui.

-Acredito que seja melhor se dois de nós forem e um ficar para avisar caso aconteça algo e estar pronto para a fuga – responde Joe já abrindo a porta.

-Certo então eu também... - e antes que eu pudesse terminar Fernanda me interrompe.

-Não, deixa que eu vou.

-Tem certeza? – indago.

Ela balança a cabeça positivamente.

-Tenho sim e eu também não sei dirigir par o caso de acontecer algo. – responde ela.

-Então esta resolvido, você lembra o que eu disse antes Fernanda? – pergunta Joe.

-Lembro.

-Nós temos que ser rápidos, entrar, pegar o que queremos e sair – diz Joe – o plano é o seguinte, pegamos uma cesta ou sacola, pegamos os alimentos enlatados, água, biscoitos, coisas do tipo e saímos o mais rápido possível.

-Tá bom – responde Fernanda.

-Então vamos.

Joe sai do carro, olha em todas as direções e coloca sua mochila nas costas. Fernanda abre aporta de trás e começas a sair do carro, mas antes que ela saia eu a chamo. Ela me olha nos olhos e antes que posso pergunta algo eu ofereço minha arma para que ela pegue.

-Mas eu não sei usar isso – questiona ela.

E antes que eu diga algo Joe me interrompe.

-É só mirar e apertar o gatilho Fernanda.

Ela olha para Joe, olha para mim e depois para a arma, receia, mas a pega. Pega a arma como se tivesse medo, olha pra mim novamente e fecha a porta devagar.

-Boa sorte.

Joe acena com a mão esquerda e começa a andar Fernanda o segue ainda olhando para a arma.

Olho para os lados e não há nenhum deles a vista. Espero que tudo ocorra bem. Foi exatamente assim da ultima vez. Todos do grupo foram morrendo até que só sobrassem alguns e por ultimo eu ficasse sozinho.

Tenho medo de que isso aconteça novamente, tenho medo de morrer, sinto tudo isso pesando sobre meus ombros. A essa altura Fernanda e Joe estão a passos da entrada e lá dentro escuridão total, somente se vê os caixas, algumas coisas jogadas ao chão e muito sangue.

Joe olha em volta novamente, acena para que Fernanda desacelere e aponta a arma para o interior do mercado. Eles adentram alguns passos, Joe aponta a arma em todas as direções e vira à direita, Fernanda olha em minha direção e o segue. Espero que sejam rápidos.

Olho novamente em volta e tudo continua bem, o sol escaldante continua a fritar pedaços dilacerados de corpos espalhados por toda parte, nenhum deles ameaça e o silencio é quase absoluto. Lembro-me dos primeiros dias quando urubus voavam por todo o céu. Carne podre e fétida não faltava e como é de se esperar o fedo ao qual raramente não sinto atraiu centenas, talvez milhares de urubus que ao longo de uma semana se encontravam mortos, caídos por todos os lugares. Acredito que o vírus também os mate, pelo menos não voltam como os humanos.

Penso vagamente em sair do carro, o calor é quase insuportável, mas não restam duvidas de que é mais seguro permanecer onde estou. A ferida em meu ombro ainda incomoda, mas evito pensar nela já tenho muito com o que me preocupar. Já não me lembro mais como era viver antes, às vezes me pego pensando na maneira que eram nossas vidas, éramos abençoados por Deus e não fazíamos a menor idéia disso.

A vida de agora é vazia e alem do medo de morrer também tenho medo de me tornar algo que sei que não sou. Fazer coisas que eu sei que vão contra meu modo de viver e tudo que aprendi, mas que em um momento de desespero podem parecer uma boa idéia. Já vi acontecer antes e a ultima vez que vi a pessoa que o fez ela estava pendurada e com uma gravata bem apertada. O ultimo grito de uma alma sem voz que se arrependera, mas perdido em meus pensamentos meu olhos encontram algo ao horizonte.

Um deles anda perdido há três quadras de distância, abaixo-me e o observo. Tenho certeza de que não me viu, por um instante acreditei que poderia não ser um deles, mas é pouco provável. Ele caminha de forma pausada, compassada e em minha direção. A única coisa a fazer já que não tenho mais posse de minha arma é dar o fora daqui e é em momentos assim que tenho medo, jamais abandonaria Fernanda e Joe, mas me sinto como em um daqueles desenhos animados onde o capetinha instiga o personagem a fazer a coisa errada. Tenho que entrar no mercado. Abro a porta lentamente, o maldito ainda se encontra longe, mas é melhor prevenir do que remediar. Saio devagar e deixo a porta entreaberta.

Vejo-o caminhando em minha direção, não me viu, corro em direção ao mercado e a cada passo dado tenho a gigantesca impressão de que ele me vira e meus pés ordenam que eu acelere. Uma bomba parece armada dentro de meu peito. Chego à porta do mercado, limpo o suor de meu rosto e olho na direção do zumbi que continua a caminhar normalmente.

Agora que me encontro aqui penso na razão de o porquê eu não estacionei o carro mais perto. Coisas assim me fazem ficar irado, mas não é hora. Olho para dentro do supermercado e está bastante escuro, também era de se esperar, não há janelas.

Entro devagar, olho para todos os lados, mas não encontro nem Fernanda e nem Joe. Da forma como o lugar se encontra não restam duvidas de que os vermes fizeram um enorme estrago por aqui. Coisas espalhadas pelo chão ensanguentado, uma prateleira derrubada com vários produtos ao seu redor, mas nenhum corpo.

Resolvo não chamar por eles, não sei o que pode ter acontecido. Só espero que a resposta seja nada. O calor ainda incomoda, continuo dando passos curtos e assumo que começo a ter medo. Meus olhos ainda não se acostumaram com a escuridão e veemente parece que vi algo, mas não tenho certeza. Entro pelo primeiro corredor a direita, troco olhares com o escuro, por entre as prateleiras meus olhos parecem querer me pregar uma peça.

O suor escorre pelo meu rosto e ainda sem ver nada continuo. Ao fim do corredor encontro tudo destruído e nada de corpos, não sei se isso é tranquilizador ou não. Passo para o próximo corredor, nada dos dois, parece estar tudo bem, mas as aparências enganam.

-Joe, Fernanda – os chamo baixinho mudando de idéia.

Nenhuma resposta é dada. Sigo me aproximando da porta até quase o começo do corredor, subidamente ouço algo atrás de mim.

Viro-me assustado e emitindo um rugido alto que ecoa por todo o supermercado um deles pula sobre mim, não há como desviar, seus braços não me alcançam, nem sua mordida. Vinha tão rápido que no impacto além de acertar o corpo contra meu ombro ele cai sobre uma prateleira e a derruba. Caio no chão, sinto minha cabeça girar.

Grito de dor, meu ombro dói insuportavelmente. Olho na direção do zumbi que já começa a se levantar. Há produtos espalhados por toda parte. Ele grita novamente enquanto se livra de alguns que caíram sobre ele.

Com a mão no ombro e sentindo muita dor, agora em pânico tento me levantar, mas não consigo somente agora me dei conta de que há algo derramado no chão e é escorregadio.

Ele finalmente se ergue e olha para mim.

-Me ajuda! – grito em uma tentativa desesperada – Socorro! Alguém me ajuda!

Sinto que não há nenhum socorro a caminho, o maldito também briga para se manter de pé. Arrasto-me e bato com a cabeça contra outra prateleira. Talvez simplesmente chegara minha hora. Encontro algumas garrafas de algo perto de mim, arremesso contra ele, mas o cotovelo que mantinha de apoio escorrega e acabo errando.

Agora posso sentir, minha alma grita por descanso, meu corpo parece ceder à tentação e o medo é a única coisa a meu favor.

O maldito corre em minha direção. Fecho meus olhos e um som estrondoso faz com que eu aperte as pupilas fortemente, encolho meus ombros e largo o corpo contra o chão. Com certeza foi um tiro.

Abro os olhos ainda em pânico, olho para a entrada e vejo duas pessoas, não consigo enxergar seus rostos.

-Você ta bem? Foi mordido? – pergunta uma voz que me é familiar, mas não tenho certeza.

Um deles aponta a arma em minha direção e se aproxima, tento me levantar, mas falho novamente.

-Felipe é você cara?

...

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